quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Marisa Monte retorna aos palcos hoje com showzaço em Gôiania.


É hoje o retorno da Marisa Monte aos palcos depois de um merecido descanso no último mês e a volta será em Gôiania e claro seguimos com muita expectativa e com a mesma sensação que remete ao primeiro show em Curitiba. Segue abaixo na íntegra o bate papo da Diva com o Jornal O Povo Online.

 Era 6 de janeiro de 2007 quando Marisa Monte trouxe o show Universo Particular, filho dos álbuns gêmeos Infinito Particular e Universo ao meu redor. Público lotado nas duas apresentações, Marisa encarou a visita como sempre, com o riso fácil adornado de dentes perolados. Ainda assim, a marca da reserva falou mais alto e só agora, com a nova turnê “Verdade uma ilusão”, ela retorna à terra de fãs, do companheiro de palco Waldonys e de 1/4 de sua ascendência. Os shows estão marcados para os dias 25 e 26 de janeiro, no Siará Hall. Os ingressos estão à venda desde o último dia 5. Se o sotaque carioca fala mais alto aos ouvidos, a fala não esconde gratidão. “Meu avô tinha pais cearenses. Eu me sinto do Crato”, releva em entrevista por telefone. Para Fortaleza, ela traz o repertório de seu último disco, “O que você quer saber de verdade”, bem como alguns de seus clássicos, fugindo do “compromisso com o hoje” estabelecido nas gravações de estúdio. Em entrevista exclusiva, Marisa fala da expectativa pelo reencontro com o público, de seus bisavôs cearenses e de sua busca pela saúde:

O POVO –É sua primeira vez em Fortaleza com o show “Verdade uma ilusão”.A gravação de um novo disco e a criação de um novo espetáculo são experiências muito diferentes para você?

Marisa Monte – Para mim, o show é uma linguagem audiovisual, então, você pode lançar mão de outros recursos. Você pode potencializar o sentido das canções, a interação com o público. O show, como repertório, é mais abrangente, com trabalhos anteriores, resgatados do passado, de discos anteriores. Não existe um compromisso com o hoje como com o disco.

O POVO –Recentemente, você se apresentou encarnando Iemanjá na apresentação brasileira na Olimpíada de Londres. Como foi essa experiência e esse convite?

Marisa Monte – O convite veio do Comitê Olímpico Brasileiro, para (cantar durante) o momento brasileiro. A questão é que em momento algum me falaram em Iemanjá. Mostraram a ideia do carro, das roupas, me passaram o repertório, mas só soube depois que era Iemanja (risos)!

O POVO – Ainda que não fosse possível de adivinhar, você já tem 25 anos de estrada. Nesse tempo, muito deve ter mudado, tanto na relação artista/gravadora, quanto na artista/público. Como você vê essas possibilidades abertas e portas fechadas em especial pela Internet?
Marisa Monte – A Internet possibilita um contato direto com o público, sem intermediários. É revolucionário, é transformador!Mas tem ganhos e tem perdas. De uma forma geral, é (algo) libertador para o artista poder democratizar muito os meios de produção.

O POVO –Uma das suas marcas é de que desde o início da carreira você é proprietária de sua própria obra. Como isso surgiu?

Marisa Monte –Não foi tão do início. Fui desenvolvendo esse raciocínio com o tempo – minha obra é meu maior bem. Desde que eu abri minha primeira editora, eu me preocupei em ter autonomia, ter autoridade sobre minha própria criação, sabe?A minha memória, as coisas que dizem respeito ao trabalho. Foi algo que fui trabalhando e até hoje trabalho nisso; em ter um certo cuidado com meu acervo, com minha obra. É algo determinante ter um critério ao tratar o conteúdo, além de poder de decisão sobre tudo.

O POVO – Você algum dia cansou da carreira? Você chegou a falar em momento de silêncio...

Marisa Monte – Eu tenho uma boa resistência. Mas é tudo muito glamurizado, idealizado, já que lidamos com sentimentos. Mas é um sentimento igual ao de outras profissões, em que cansamos. É um pacotão – quando você gosta, você se propõe a tudo. Eu encaro tudo com muita naturalidade.É interessante ver que mesmo depois de tanto tempo de carreira, ainda sou jovem – pelo menos me sinto.

O POVO – No seu DVD “Infinito ao meu redor”, você contextualiza essas dificuldades da carreira musical, inclusive mostrando a mesma pergunta sendo repetida a você incessantemente. Qual foi a mais repetida agora com “O que você quer saber de verdade”?

Marisa Monte – Você tá me perguntando isso só para repetir a pergunta (risos)?

O POVO – Exatamente o contrário – para ter certeza que não incomodo repetindo o mesmo (risos)!

Marisa Monte – Em geral é o próprio título do disco. “Marisa, o que você quer saber de verdade?”, como se fosse uma pergunta, não uma afirmação. Além disso, o tempo todo vem alguém me perguntar quando vai ter um novo show, um novo CD, DVD. Nas ruas as pessoas me perguntam muito, mas nesse caso é uma pergunta maravilhosa – pressupõe o desejo de ver esse show.

O POVO –Em uma entrevista recente para a (revista) Bravo, você fala que “doente, não estarei feliz e não conseguirei levar felicidade para ninguém”. É assim que você vê o seu trabalho, levar felicidade aos outros?

Marisa Monte – Eu acho que as pessoas vão ver um show para ser felizes. Não é só felicidade. É emoção, é tradição cultural, resgatar sabedorias de outros artistas. É divulgar a beleza da criação artística brasileira, então é importante você estar bem para fazer isso. Eu procuro me cuidar muito para isso, como inclusive disse nessa entrevista para a Bravo. Não é bom fazer um show (estando) gripada e se sentindo mal com isso. É importante estar sempre relaxada na hora de subir ao palco.

O POVO - Um dos seus parceiros mais recorrentes, participando inclusive em algumas faixas de “O que você quer saber de verdade”, é cearense, oWaldonys...

Marisa Monte – (antes do término da pergunta) Queridíssimo! Ele é da família. Considero do círculo dos afetos. Ficou marcado na nossa história em comum, é uma alegria muito grande. Na vida adulta, esse estreitamento dos afetos se dá no trabalho. O Waldonys é uma felicidade. É uma das pessoas que eu mais admiro, não só como músico, mas também como pessoa.Ele é muito especial, muito único! Já até avisei a ele que estou chegandoem Fortaleza, espero que ele esteja lá.Fortaleza é sempre muito especial para todos nós.

O POVO – E quanto a artistas novos? Nessa mesma entrevista para a Bravo, você pareia a sua popularidade com a de Paula Fernandes. Você se vê influenciando muitos artistas?

Marisa Monte – Saiu até um pouco distorcido na revista. Eu estava dizendo que sempre fui muito direta, muito simples. Sempre fui popular, desde “Bem que se quis”, é só lembrar. Claro, que sem perder o contato com a sofisticação, com a elegância, mas ainda assim popular. Acho que era mais um preconceito dele em relação ao público (da Paula Fernandes), mas eu não penso assim. Quero cantar para todos.Quero cantar para a alma, independente de tudo! Quero cantar para almas e corações. Sabe, eu trabalhei com os artistas da velha guarda, os caras do samba do Rio de Janeiro, que fazem a coisa mais simples e mais linda do mundo. A simplicidade é um grande objeto de valor.Eu tenho como linguagem uma linguagem acessível para todos. A simplicidade é um conceito de valor bacana. Simplicidade não é sinônimo de falta de criatividade, de falta de qualidade – muito pelo contrário.

O POVO –Falando sobre artistas mais antigos, você teve uma relação bem íntima com os Novos Baianos, sendo talvez peça fundamental na gravação do último disco deles. Como você viu essa volta da Baby do Brasil às origens?

Marisa Monte – O show foi incrível! A Baby é única, exuberante, original, criativa. Ela faz algo que é dela, é único e a gente precisa da originalidade de pessoas como ela. É um bem para todos nós. Sou muito amiga do Pedro (Baby), filho dela, que é o diretor do novo show. É muito lindo ver essa parceria com a mãe.

O POVO – Quem sabe um dia não sobem você e seus filhos ao palco?

 Marisa Monte – A gente ainda tá muito distante, meus filhos são muito novos. Nem sei se eles vão seguir meus passos e partirem para trabalhar com música.Mas o que me marcou naquilo foi o carinho, o amor. Algo que vai além do profissional – você vê no olhar, é uma linguagem silenciosa. Essa parceria é uma construção dela como mulher e como mãe.

O POVO – Depois de tantos feitos na carreira, existe algo que você ainda galga? Algum desejo, uma meta, um norte?

 Marisa Monte – Tenho sempre coisas que eu gostaria de fazer. Mas não são coisas que ficam ali, não. Elas ficam fermentando, tem seu tempo próprio. São coisas misteriosas. São coisas que estão se fazendo por si só. A gente fica a disposição disso, no fluxo da criação e eu sinto que ele está ativo.

O POVO – Você quer acrescentar mais algo? Algo sobre o Ceará, talvez?

Marisa Monte – Estou muito feliz de voltar ao Ceará (risos)!É sempre tão lindo quando me encontro com o público de Fortaleza. Fico na expectativa- espero encontrar o público lá e vai ser lindo. E eu ainda tenho uma outra relação com o Ceará. O meu lado “Monte” é daí. Meu avô era filho de pais cearenses. Eu me sinto do Crato, numa conexão entre o Ceará e a Arábia, será que dá para entender? O meu lado monte é daí. Meu avô tinha pais cearenses. Eu me sinto do Crato. Tem uma conexão entre o Ceará e a Arábia. E eu ainda tenho um lado Sabóia que também é daí... É de... Sobral! Meu pai sempre disse que todo Sabóia é parente, então acho que vou encontrar muito parente meu (risos)!

SERVIÇO MARISA MONTE
O quê: turnê Verdade uma ilusão.
Onde: Siará Hall (Avenida Washington Soares, 3199 - Edson Queiroz)
Quando: Dias 25 (sexta) e 26 (sábado) de janeiro de 2013.
Horário: 22horas. Abertura dos portões: 19h.
Quanto:Mesa – R$ 250 (por pessoa);
Camarote – R$ 170 (por pessoa);
Cadeira – R$ 180 (inteira) e R$ 90 (meia).
Pontos de vendas: bilheteria do Siará Hall e on-line (bilheteriavirtual.com)
Aceita cartão Visa, Masters ou Diners. Outras info.: 3033 1001.

 Fonte:O Povo Online

 Allan Mello
Equipe Marisa Monte e Cia

5 comentários :

Carolina Souza disse...

Essa tal de Marisa Monte é de mentira! Num tem base, uai!

LINO MOURAIS disse...

Entrevista gostosa, saudades! ^^ Contando os dias aqui!

Carla disse...

Essas entrevista da Marisa é sempre a mesma coisa...até cansa.

Zé Henrique disse...

O meu pai era paulista, meu avô pernambuncano...

Zé Henrique disse...

o meu bisavô mineiro, meu tataravô baiano...